terça-feira, 10 de abril de 2012

Vulcões, história e boa comida em Arequipa


Salve queridos amigos-leitores,

Após uma semana em Arequipa, no Peru, arranjei um tempinho para dar notícias daqui. Bom, estou vivo depois de uma experiência bastante radical que não pretendo repetir nesta vida. Subi o vulcão El Misti, que tem 5.800 metros de altura sem estar devidamente ambientado com a altitude nem com o preparo físico requerido. Sofri bastante com o frio e com os sintomas do ar rarefeito, mas agora que passou já começo a achar graça.

A foto aí em cima é do grande momento da chegada ao cume. Ufa! Foram dois dias de um esforço descomunal, com uma noite em barraca a uma temperatura de cinco graus negativos, para sair dos 3 mil metros acima do nível do mar e chegar ao topo. Tudo isso para ficar uma hora lá em cima, enjoado e com uma dor de cabeça de matar. Ou seja, uma ideia de jerico.

Mas não é só de sacrifícios essa vida de viajante. Tenho passado dias muito agradáveis nessa cidade para lá de aprazível. Arequipa foi fundada em 1540 e ainda guarda um centro histórico muito bem conservado, mantendo a alma de uma cidade de verdade. Não é como Cuzco, por exemplo, que também mantém sua arquitetura colonial preservada, mas parece meio Disney, só com turistas nas ruas ou com quem venda ou tente vender algo para eles.

Aqui os peruanos comuns trabalham, vão ao banco, ao fórum, almoçam nos restaurantes. Um clima que tem me atraído bastante. Além da atmosfera arequipenha, a boa comida, a preços módicos, é outro atrativo. Ceviches irresistíveis ou mesmo uma simples refeição popular com frango assado têm me segurado, a cada vez, mais um dia nesta cidade.

No lado histórico-cultural, gostei muito de visitar o Monastério Santa Catalina, inaugurado no século XVI, para receber as mulheres que ficavam enclausuradas para se tornarem freiras. As construções foram ampliadas ao longo dos séculos e reformadas após os diversos terremotos que atingiram Arequipa. Outro atrativo bem interessante é o Museu Andino, que mostra incríveis achados arqueológicos dos Incas na região.

Agora, penso em seguir em direção a Lima pela estrada mais próxima ao litoral, que é o caminho mais curto e estou um pouco cansado de pegar frio nos Andes. É isso, pessoal. Até o próximo post. Abaixo seguem algumas fotos da cidade.



Vulcão El Misti ao fundo, vigiando Arequipa.



A Plaza de Armas, vista da torre da catedral.


O popular Mercado San Camilo.

Abraços,
Claudio.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Depois de longas férias, volto a dar notícias...


Depois de um tempo sumido do blog, volto com muito atraso para dar notícias a quem anda preocupado ou curioso de como andam as coisas. Bom, para começar, estou em Iquique, no norte do Chile, desde sexta-feira, para consertar a moto. Em terras estrangeiras, além do Chile, já passei pelo Paraguai e Argentina.

Na Argentina, curti bastante o norte do país, que ainda não conhecia. O lado negativo foram os custos. Fiquei impressionado como a Argentina está cara. Desde a última vez que estive lá, há uns dois anos, os preços dobraram e estão iguais aos do Brasil. A gasolina é muitas vezes mais cara do que no Brasil. O combustível também está com valores semelhantes no Paraguai e no Chile.

Fiquei uns dias em Salta, que é uma das cidades de onde turistas (mochileiros na maioria) saem para fazer os passeios no lado argentino do altiplano, como chamam as terras que ficam no alto dos Andes. A região é de transição para o deserto, com lagoas coloridas e salares, que, ao meu ver, não fica devendo nada para o o altiplano boliviano.



Nesta época do ano, Salta tem chuva quase todos os dias porque as nuvens ficam presas nas montanhas, mas, quando se sobe os Andes e atravessa as nuvens, o céu fica azul, sem uma gota de chuva na secura total do altiplano. Depois de Salta ainda dormi em Pumamarca, um dos diversos "pueblos" andinos da região, e parti para o Chile, para San Pedro de Atacama, pelo Passo Jama, uma das diversas passagens de fronteira com a Argentina.

A chegada no lado chileno foi em San Pedro do Atacama. Aliás, São Pedro estava me perseguindo. Desde que saí do Brasil, não havia um dia em que eu pegasse estrada de moto e que não chovesse pelo menos em algum momento. E não foi diferente mesmo no Atacama, que é a região mais seca do mundo. É claro que foram só uns pinguinhos que nem chegaram a molhar direito, mas choveu. Agora parece que ele parou de me perseguir e água só no chuveiro.


Como já conhecia o Atacama não fiquei muito tempo em San Pedro, duas noites e um dia para descansar. Além disso, no caminho de moto já fui passando pelas principais atrações que ficam ao redor da cidade. Depois de San Pedro, vem a monotonia de centenas e centenas de quilômetros de deserto chileno que perde a diversidade de cores à medida que se aproxima do litoral.

Estou escrevendo de Iquique, um porto no Pacífico de águas azuis cercado pelo deserto. Depois de uns dias correndo atrás de peças para trocar o aro e o pneu traseiro da moto, saio daqui a pouco para percorrer mais uns 450 km e atravessar a fronteira com o Peru. Ah! Faltou falar do Paraguai. Mas também não vi muita coisa por lá e ainda fui roubado em US$ 50 por um policial que inventou que eu tinha passado um limite de velocidade em um lugar que ele nem sabia qual era. Ele me segurou na estrada, a uns 60 km da fronteira, e exigia dólares ostensivamente para me deixar seguir.

Abraços!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Graças ao Evo, mais um pouquinho de Brasil

Como não teve jeito mesmo na fronteira da Bolívia (olhem a imponência do escritório da aduana aí ao lado), acabei desistindo do país de Evo Morales e decidi passear mais um pouco no Pantanal e conhecer Bonito, no Mato Grosso do Sul, antes de atravessar a fronteira para o Paraguai. Peguei a chamada Estrada Parque, que dá uma volta um pouco maior para sair de Corumbá mas corta o pantanal. Apesar de um pneu furado, valeu a pena. 






Jacarés, capivaras, pássaros e até um filhote de veado (dessa vez, vivo) me fizeram companhia no trajeto de 130 quilômetros de estrada de terra. Nessa foto acima, a capivara e seu filhote nem se incomodam com o "ameaçador" jacaré.




Com o atraso do pneu furado, só consegui chegar a Bonito umas 22h de sábado e só hoje é que vou fazer o passeio do Rio da Prata, que se desce o rio com máscara e snorkel nas águas repletas de peixes que já estão bem acostumados com os turistas. Apesar da beleza do lugar, a princípio estou achando o turismo daqui organizado demais. Sei que é bom para a cidade para a sustentabilidade da atividade, mas eu queria poder ir a uma gruta, rio ou cachoeira sem um guia e um grupo de turistas. Fora que não há nada de graça aqui. Para entrar em qualquer rio é preciso pagar. E não é barato.




sábado, 17 de março de 2012

Ainda não foi dessa vez...

Queridos amigos-leitores,

Para minha frustração total, Evo Morales não me quer em seu país e minha moto foi barrada na fronteira. Logo minha primeira fronteira! Tudo isso aconteceu porque o funcionário da aduana (receita federal deles) de um posto de fronteira entre o Chile e a Bolívia não deu baixa na minha saída com a moto da Bolívia em 2006, quando cruzei as terras bolivianas rumo ao deserto do Atacama.

Quando um turista entra com o veículo em um país recebe um papelzinho de importação temporária, com validade de 30 dias em geral, que deve ser devolvido na saída. Eu devolvi o meu em 2006, mas o funcionário (que eu me lembro tinha sido acordado por mim logo ao amanhecer) não deu baixa no sistema ou jogou fora o tal documento. Então, a minha moto está cadastrada no sistema da receita boliviana como se tivesse ficado ilegalmente no país por esses seis anos.

Pela burocracia ou falta de lógica e bom senso, ou tudo isso junto, o funcionário da aduana aqui na fronteira com Corumbá disse que se minha moto entrar na Bolívia será apreendida. Passei ontem o dia todo explicando que, se eu já estava no Brasil, com o documento brasileiro de 2011, como poderia ter ficado todo esse tempo na Bolívia. O burocrata diz que no sistema minha saída está em aberto e que não há como mudar isso. "Ninguém pode mudar isso no sistema", diz ele.

Ontem, vim ao consulado da Bolívia em Corumbá, falei com o consulado brasileiro em Puerto Quijaro (a cidade do lado de lá da fronteira) e nada. Daqui a pouco, o encarregado de plantão do consulado brasileiro vai me encontrar lá na fronteira, mas já estou sem esperanças. Há um brasileiro que trabalha na cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra que está com o carro em situação parecida e está há três dias parado lá na fronteira sem conseguir entrar.

Após passar a noite pensando em um caminho alternativo para seguir viagem, decidi  que vou descer para o sul e cruzar o Paraguai. Então, se daqui a pouco não conseguir entrar na Bolívia, sigo hoje mesmo até Bonito (MS), onde fico um dia para conhecer o lugar, e depois sigo para Ponta Porã, para cruzar a fronteira com Pedro Luís Cabalero, cidade em que os traficantes brasileiros costumam passar temporadas e até serem presos. De lá, atravesso o Paraguai e sigo para o norte da Argentina e Chile, para contornar a Bolívia.

A outra opção era ir até o Acre e cruzar a fronteira com o Peru, em Assis Brasil. Mas escolhi o caminho do Paraguai porque estou meio com preguiça de encarar 3 mil quilômetros de BRs mal conservadas, cheias de caminhões e ainda no período de chuvas da Amazônia. Dizem que chove o dia todo, todos os dias. E, de moto, chuva não é legal.

Até a próxima, espero eu, com notícias melhores!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Bye Bye Brasil

Corumbá (MS), 16 de março de 2012

Finalmente, após vários adiamentos, estou saindo do Brasil para a viagem de moto até os Estados Unidos, passando por 15 países das três Américas. A saída foi no dia 13 de março, do Rio de Janeiro, e o destino final será o Alasca, se meu dinheiro permitir. Se o orçamento ficar apertado, volto da Flórida ou de Nova York, o que também não será nenhum grande problema. A ideia é levar uns quatro meses nessa jornada e mandar a moto de volta por navio. Eu volto de avião.

Para sair do Brasil, escolhi a fronteira com a Bolívia, na cidade brasileira de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, de onde escrevo esse post para iniciar nosso blog. Daqui a pouco, vou atravessar a fronteira e enfrentar a burocracia dos nossos vizinhos, que não deve ser muito diferente da nossa.

Na América do Sul, além da Bolívia, vou passar por Peru, Equador e Colômbia, de onde atravesso de barco rumo ao Panamá para então percorrer toda a América Central. No caminho, vou contando aqui as histórias da viagem para quem quiser saber.

Até aqui, foram três dias de muita estrada e pouco lazer. Só ontem, na estrada de Campo Grande à Corumbá, consegui aproveitar um pouco, com a bela paisagem do Pantanal ao entardecer, alguns jacarés nas lagoas e muitos pássaros. O triste é ver tanto bicho atropelado nessa estrada, além de vários tatus, havia restos de um jacaré e de um veado.

Abraços!